AO (RE) ENCONTRO DAS ALMAS SELVAGENS E LIVRES
Quinta-feira, 2 de Junho de 2005
o Verão do ano passado.

tempo.jpg

 

O Verão do ano passado.

 

Depois de te ouvir. Depois de novamente me sentir enregelada por dentro como se já nada fizesse a diferença. Só consegui proferir uma frase. ( “ Será que ouviste? Será que entendeste? )

 

Uma frase daquelas que se dizem quando concluímos que já não vale mesmo a pena dizer mais nada. Já não há mais nada. “

 

Este Verão está-me a parecer demasiado igual ao Verão passado.” Este Verão. Este Verão que começa quando está a acabar o do ano passado. “ Tudo demasiado igual. “ – Vinquei. E tu, à medida que pausadamente disse estas frases, ficaste com esse ar atónito de quem não acredita ou quer acreditar naquilo que está a ouvir. Perante as minhas afirmações te ficaste. Com um ar interrogativo ou de interrogatório – não sei – mas sem conseguir dizer uma palavra. Ficaste.

 

Não te respondo. Para quê?. Já tantas vezes disse. Já tantas vezes gritei. Bichanei. Berrei. Gemi. Já tantas vezes esperancei.

 

Esta dor que ficou. Que fica de cada vez que me abandonas. Esta incredulidade não sei se em ti, se no resto do Mundo, hei-de traslada-la comigo sempre. Sem ti. Contigo. Tanto faz. “

 

Estarei a enlouquecer? “ - Penso baixinho com medo que ouças, que alguém ouça. - “ Já terei enlouquecido? “. Enlouqueci.

 

Agora espelha-se no teu rosto outra questão “ O que há de errado contigo?“. Como se o erro fosse só meu. Tivesse sido só meu. Seja só meu. O meu único erro foi ter-te amado. É amar-te. Será que acaba agora, com este Verão que finda?. Verão que começou no ano passado, no dia em que te conheci.

 

Será que está a nascer, agora, com este Verão que começa?. Estou-te a conhecer. Estou-me a conhecer. Não sei se gosto do que estou a conhecer. Não espero nada. Não permitirei que este Verão seja como o Verão do ano passado. Acabou. Passou. Extinguiu-se tal qual as nossas forças para o tentar manter. Ao Verão e ao Amor.

 

O Verão passado acreditava no Amor. Na forma como o concebi toda a minha vida. Na minha cabeça. No meu corpo. Na minha Alma. O Verão passado acreditava em ti. Não duvidava de nada que me dizias. Não precisava de pensar ou agir. Tinha-te a ti.

 

Não é mais possível. Por isso este Verão, apesar de tão parecido com o do ano passado que agora finda, é intrinsecamente tão diferente. Já não me possuis. Sou minha. Minha e eternamente tua. E tu meu, sem o sentires, sem o saber. Nada mais te direi. Não vale a pena berrar mais. Está no meio - e dentro - de nós. “

 

Será que mereces que te ame?

Sussurro ao vento, como sempre. Porque o Vento leva as perguntas com ele e não as conta a ninguém. De pé, ainda pouco crente no que me mantia de pé. Pouco crente no que ainda me mantém de pé. Penso que será melhor não te ter como meu.

 

Apetece-me gritar-te aos ouvidos e perguntar-te só mais uma vez porque é que não és meu. Não pergunto. Tenho pânico da resposta. Aquela que já sei qual é, mas não quero ouvir.

 

Em pé apercebo-me que nem notaste que me levantei. Continuo a observar as tuas expressões. A ouvir as tuas sempre poucas e iguais palavras, cheias de promessas sem promessas algumas. Dói-me. Em pé e observando-te, procurando uma qualquer resposta que me sossegue, vejo que preferias que continuasse sentada como no Verão passado. O Verão que acaba de findar. Este Verão do ano passado que dá lugar a este Verão deste ano.

 

Vejo-te de dia para dia a ficares sem mim, a perderes-me. A deitares-me a perder, como se só nos outros encontrasses verdadeiras respostas ao que procuras. Àquilo que incessantemente procuras. Que existe em ti. Que existe em mim. Que não existe nos outros. Vi-te a perderes-me e a perderes-te no Verão passado que finda com este Verão que começa agora.

 

Não te voltei as costas. Ainda aqui estou. Por enquanto. Por pouco tempo. Dóis-me. Não quero morrer de ti. Não vou morrer de ti. Amo-te. Em pé e pela calma que aparentavas. Que aparentas. Percebi que achavas que estavas em poder da minha alma. E estavas. Estavas. Estavas. Mas já não estás.

 

Incoerente viste o meu corpo a afastar-se do teu. Deixaste-me ir. Deixas-me ir. Mas, porque ficas com esse ar triunfante se sei que te dói por dentro? - Volto a olhar-te e em silêncio perguntar-te “... Porque não me queres? “ – Agora é a tua vez de não responderes. Não respondas. A minha Alma já vai para além do meu corpo. Já não é tua. Vai ali, além, muito mais rápida que o meu corpo a afastar-se de ti. “ Se me quisesses dava-te tudo. “ – Sem comentários. Não queres.

 

Então nem notaste que me levantei do Verão passado e comecei um Verão só meu. Nem notaste. Por isso me dói. Amo-te.



publicado por marisa.moreno às 23:11
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9 comentários:
De Marisa a 4 de Junho de 2005 às 01:49
Olá Mãe, olá Biga, olá mochito,olá Johnny...Olá aos restantes que sei que passam e não comentam...Olá...como vos disse, seriam os primeiros a saber quando me aparecesse Um SOL NOVO NA HISTÓRIA...bem...apareceu...nunca pensei que me telefonasse porque quando o conheci e sai com ele lhe disse que não podia entrar numa relação quando ainda não tinha acabado outra...(como vocês sabem tive sete meses à espera de uma pessoa que agora chegou...mas não é de certeza a mesma pela qual me apaixonei...) e de repente...desde quarta feira tudo se resolveu e hoje o rapaz liga-me a perguntar se já podia sair com ele de novo...E VAMOS Á PRAIA AMANHA...estou muito contente...quando se fecha uma porta...abre-se uma janela...não é?Esperemo que daqui a um mês não esteja de novo por aqui a chorar...LOL...BEIJINHOS E BOM FIM DE SEMANA PARA VOCÊS TAMBÉM!


De Marisa a 4 de Junho de 2005 às 01:41
Ena temos gente nova com piadas secas por aqui...engraçado SR. Flores...eu não estava a falar de estações do ano...concerteza era uma piada para que nós não entendessemos...concerteza é muito à frente e demasiado inteligente para nós...ou para mim...mas está perdoado...sempre esteve.Beijos e volte sempre.


De Me a 3 de Junho de 2005 às 23:09
Olá Marisa, quero desejar-te um bom fim de semana, e pf deixa o Sol entrar.... Beijos.Mãe.
http//trabalhosdobrados.blogs.sapo.pt


De aflores a 3 de Junho de 2005 às 15:51
Todos os anos o Verão nos bate à porta. É claro que estou a falar de estações do ano...


De Marisa a 3 de Junho de 2005 às 02:04
Não se preocupem...este já passou ha anos atrás...mas acho que é válido depois de ontem ter estado com o actual...não se preocupem mesmo...não vale a pena...só doi a primeira a partir dai ganhamos carapaça...tudo se resolve...tudo mesmo.Obrigada pelo apoio.Gosto muito de vocês...temos que organizar um jantar!!!Não acham?Até a Biga e a Sani vêm dos Açores...Beijokas


De o mocho a 3 de Junho de 2005 às 00:22
P.S. - Os traçinhos dos verbos são como os traçinhos da vida. De um momento para o outro, podemos dar cabo deles. Um beijo.


De o mocho a 3 de Junho de 2005 às 00:20
Lamento que estejas a passar um mau bocado, querida Marisa. Mas como a "mãe" diz: se esse alguem não te ama é porque não te merece. E sendo assim, tu mereces incomparável/ melhor. Até o estar sózinha é melhor do que estar com quem não nos aprecia. Vive o novo Verão que aí vem e dá uma chance à vida.


De Marisa a 3 de Junho de 2005 às 00:14
Obrigada pelo conselho...é um erro grave sim...e também obrigado pela correcção...também é um erro grave...o qual eu me encontrava a corrigir...era fácil se alguém voltasse por apenas se corrigir um erro ortográfico (não digo em lado nenhum que quero que ele volte...LOL)...mas obrigada na mesma.Beijos.


De Fadamagrinha a 2 de Junho de 2005 às 23:32
Sabes...se deres menos erros de português, pode ser que ele volte!!! Entendeste (passado) (e não entendes-te!!! presente)
Atenciosamente


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