E não chego.
Não chego lá.
Por amor sofremos.
Neste quarto sem janelas e portas onde sobrevivemos.
Onde sufocamos.
Onde por amor, o amor fazemos.
Esta doce tortura da qual quero ser livre.
Sem querer este amor que Amor não é.
Deixar-te ir.
Não chego.
Não chego lá onde me queres.
Onde queres alguém.
Porque não sou...
Nunca serei...
O teu Amor.
Adormecida no meio da minha música, do meu vinho e dos meus comprimidos.
Onde sou um bocadinho feliz e sorrio.
Lá onde a minha imaginação chega mas o meu corpo não.
Onde desfaleço querendo acreditar...
Acreditar que um dia...
Um dia serei esse Amor.
Senão para ti...
Para alguém.
Vida.
Quando tuas costas vi.
E a porta bateu.
Quando o silêncio se fez.
E mais uma lágrima correu.
Morri.
Fechei-me naquele mundo perverso.
Onde nada tem sentido ou existe.
Em que tudo é ilusão mas resiste.
Onde em nada acredito e a dor subsiste.
Morri.
Quero tanto tuas mãos.
Teu olhar e tua boca.
Quero teu corpo sorvendo-me a alma.
Quero-te Vida.
Sem ti.
Morri.
E o óbvio depressa se tornou realidade...
Fizeste de mim farinha do mesmo saco.
Quiseste que apenas acenasse consentindo.
Prendendo-me a fala e a cabeça para não mais negar.
Outra vez acontece.
Tomada como dado adquirido.
Como se já não precisasse de um carinho.
E a garganta aperta de tanto soluçar.
E os olhos escondem lágrimas de amar.
E o coração dói de tanto bater.
E o útero encolhe com medo de te perder.
Estou cansada e caio...
Vou caindo...
Lenta e calmamente.
Quebrando pacientemente cada um dos meus apoios.
Era tua eu.
Era.
Apressada ou não...
É assim a vida.
Com vontade ou não...
É assim a morte.
Se quiseres que esteja a teu lado...
Assim será.
Continuo a aprender.
A não mais fazer mal pelo mal que me fizeram.
Encontrei-me por mim.
Encontrei outra razão para viver.
Uma que não eu.
Uma que não a óbvia...
Uma que me impele a acreditar e a recomeçar.
Essa razão és tu.
Não sou perfeita.
Nem perto do ideal.
Existo e sou verdadeira.
Quero apenas que saibas...
Que ao me procurar...
Te encontrei.
Quero que saibas
Que te vou deixar...
Que me vou deixar aqui ficar.
Sempre que me envolves em teus braços.
Fazes-me sentir como toda a vida lá tivesse estado.
Sempre que tocas meus lábios com tua boca.
Fazes-me esquecer que o mal um dia existiu.
Sempre que me olhas e me encontras a alma.
Fazes-me sentir que afinal tudo tem um sentido.
Por muito longe que esteja.
Hei-de sempre por ti sentir amor.
Por muito magoada que seja.
Hei-de sempre para ti correr.
Por muito sozinha que me veja.
Hei-de sempre por ti procurar.
Com a certeza que sou tua.
Mesmo que nunca sejas meu.
Foi isso.
As palavras mal ditas e bem pensadas.
Palavras jogadas com batota.
Ditas com malicia.
Depois o corpo estremeceu.
O coração a última vez bateu.
E a alma morreu.
Sim.
Digo-te sim.
E assim...
As palavras não doem mais.
Castelos ruidos.
Sapos beijados.
Principes afogados...
Sim.
Digo-te sim.
E assim...
As lagrimas não correm mais.
Sede satisfeita.
Fome rarefeita.
Rainha destronada...
Sim.
Digo-te sim.
E assim.
As veias ficaram sem sangue.
Será assim...
Para que um coração viva...
E o outro...sobreviva...
Acredito.
Acredito na verdade das tuas palavras.
No som da tua voz e no doce dos teus olhos.
Acredito.
Ainda acredito.
No Amor eterno e na unidade das almas.
Quero-te tanto meu Amor...
Se me fugires ou me deixares...
Viverei morno...
Não mais sentirei.
Nem mais acreditarei.
Morno...
Fizeste-me promessas...
Fizeste-me acordar...
Sem ti...morno...
Gosto-te tanto meu Amor...
Se me desapareceres ou me abandonares...
Viverei morno...
Vestirei minhas asas de novo...
Olharei com desdêm esses mortais apaixonados.
Pairarei morno.
Morno...sem sentido ou sentimentos.
Sem vontade nem mortalidade...
Perguntando-me apenas que mal pratiquei...
Porque não podes sentir por mim o mesmo.
Porque me deixaste ganhar asas e voar...
Restarei morno meu Amor.
Sem acreditar.
Sem amar...
Mas amarrando-me sempre de tanto te odiar.
De Anjo transformado em Homem.
Te fizeste em mim desejo.
Vês o que mais ninguêm consegue ver.
Perdoas o que jamais seria perdoado.
Desceste e junto a mim ficaste.
Sem asas...
Asas que no chão as poisaste.
No meu leito repousas.
No meu colo te encontraste...
No meu ventre te abandonas.
No meu peito...amas...
Preciso de muito para me sentir viva.
Familia.
Amigos.
Fugir.
Ficar.
Amor.
Sexo.
Mais do que apenas um coração para viver.
Precisamos de estar vivos.
Precisamos de nos sentir vivos.
É instinto.
Não o podemos controlar.
Não quero cair.
Não vou cair.
Não quero colar-me ao chão.
Derrotada por ti.
Se estás a submergir.
Vou contigo.
Não quero e não vou...
Deixar de confiar em mim por ti.
Vou apenas deixar-me levar.
Vou apenas...
Deixar-te levar-me contigo.
Se quiseres gritar.
Grita comigo. Para mim.
E eu vou...
Apenas de encontro a ti.
Talvez para sempre.
Talvez para nunca mais.
Mas esta vez.
Apenas esta vez.
Vou submergir por ti.
É instinto e isso não podemos controlar...
Uso os meus olhos para ver.
Fecho-os quando prefiro nem saber.
Uso sapatos para poder andar.
Uso a minha respiração para não morrer.
Preciso de comida para satisfazer a minha fome.
Uso a minha boca para mandar todos calar.
Uso os meus ouvidos para te ouvir.
Uso o meu coração para a mente controlar.
Uso o meu corpo para te usar...
Não me perguntes porque te quero...
Porque não sei...
Mas preciso de ti para me destrancar.